terça-feira, 30 de outubro de 2007

PADRE CÍCERO

O pai do meu tio morava no Ceará. E de lá ele mandava várias cartas para meu tio.
Nas cartas, o velho descrevia as belezas de sua terra com grande paixão. Mas de todas as coisas que o pai do meu tio amava naquele lugar, nada se comparava com um chaveirinho que ele tinha, há muitos anos, com a imagem do Padre Cícero do Juazeiro.
Ele descrevia aquele chaveirinho como milagreiro, protetor, sagrado e amigo inseparável.
- Meu fio, eu tenho um sonho antigo. Viajá aí pra Sum Paulo, pru módi benzê meu chaverinho do Padinho Ciço, na igreja da Aparecida do Norti.
Não demorou muito e meu tio mandou uma passagem para seu pai ficar uns dias aqui na cidade. O velho chegou empolgado e após alguns abraços e muitas lágrimas foi logo falando.
- Fio, amanhã bem cedinho você me leva na Aparecida do Norti, pru módi eu benzê meu chaverinho do Padinho Ciço?
Meu tio concordou com um sorriso largo no rosto e pediu para ver o chaveirinho com a imagem do Padre Cícero.
Feliz em exibir sua relíquia, o velho abriu sua mala desengonçada e sacou lá do fundo um grande embrulho de pano amarelado. Desenrolou várias vezes o tecido até revelar em seu interior uma pequena caixa de madeira.
Então, com suas mãos trêmulas, tirou o chaveirinho de dentro da caixa, olhou para a imagem com grande reverência, e beijou a face do santo.
Meu tio tomou o pequeno chaveiro nas mãos, examinou com atenção por um minuto…dois…três minutos…e mesmo assim custou a acreditar no que seus olhos viam.
O chaveirinho, era na verdade uma imagem de Charlie Chaplin…com sua roupinha preta, as mãos apoiadas em uma bengala e seu inconfundível bigodinho borrando-lhe a base do nariz.
Diante do olhar beato de seu pai, meu tio não teve dúvidas. Sapecou um beijo no rosto do Charlie Chaplin e fez o sinal da cruz com as mãos.
No dia seguinte, pai e filho embarcaram para Aparecida do Norte em um ônibus lotado, levando na bagagem apenas alguns trocados para a farofa do meio dia e um chaveirinho do Charlie Chaplin, que, segundo o pai do meu tio, depois daquele dia passou a ficar ainda mais mágico e milagreiro.

8 comentários:

Gastón disse...

Cara, vou mandar pra ele um do Marlin Mason. Fala que é de São Judas Tadeu.

Anônimo disse...

MH essa foi a melhor história!!! Chorei de dar risada!
Beijos
Carol (irmã da Cecilia)

Ciça disse...

Huahuahauhauha...Eta familinha, hein? Agora já sei quem vc puxou...

Gastón disse...

MH, justiça seja feita, eu nunca ri tanto com um post na minha vida.

ANNA disse...

Que história cômica!!!
Adorei!
Tá vendo, o importante mesmo é ter fé! Nem que seja no Chaplin!
Beijo

Ana Paula disse...

Só a boboca aqui ficou com pena... rs

Ovo disse...

Gostei da história... vou repassar pros amigos e dizer que fui eu que escrevi! hehehe

;-)

MH disse...

hahahahahhahaha. Boa. Só não escreva que é do Luis Fernando Verissimo. Ninguém vai acreditar que ele escreveu essa bobeira.